Doce de memória

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Caramelos e bombons de conchinhas da Ofner. Foto: Lu Mastrorosa

De uns anos para cá, muita coisa entra e sai de moda tão rápido na gastronomia que a gente acaba esquecendo (ou deixando de lado mesmo) alguns velhos clássicos. Ninguém mais fala da Ofner. Quando eu era criança, lembro que essa marca fazia uma propaganda de ovo de Páscoa. Aquilo me deixava enlouquecida, pois era muito chocolate derretido, misturado com o que pareciam ser crespinhos de arroz ou pedacinhos de castanhas, formando um ovo de Páscoa gigante e crocante. E caro. E, portanto, inacessível para mim naquele momento.

Aquilo povoou minha imaginação por anos. Hoje, nem ligo mais para chocolate com crocante, prefiro os amargos. Mas, olha, descobri há pouco tempo que a Ofner ainda bate um bolão!

Meus três itens favoritos da casa: bombons de praliné em formato de conchinhas (doces, mas sem serem enjoativos como aqueles gringos vendidos em caixinhas carésimas); as gominhas coloridas de frutas (muito corante, muito açúcar e muito aroma artificial, mas de vez em quando pode); e, finalmente, os caramelos artesanais. O que são aqueles caramelos, gente? Três versões: chocolate, café ou ao leite, num degradé maravilhoso.

Por muito tempo, a Ofner também foi uma das poucas opções para tomar um café e dividir um docinho pela alta madrugada. Era um passeio ir até a Ofner com o boy, esticar um pouco mais a conversa. Naqueles tempos a gente fazia isso, viu? (Cof, cof).

Pelo que pesquisei de sua história, a empresa começou de forma bem artesanal e hoje já soma 23 lojas em São Paulo. Produzem mais de 30 mil itens todos os dias – chocolates, doces gelados, salgados, biscoitos, etc. Dá para comprar bolos e tortas inteiros, inclusive pelo site. E ainda tem sorvete. Mas eu gosto mesmo é das conchinhas de chocolate com praliné (ou, como eles chamam, “Art de l’ocean”. O custo ainda é alto, 185 reais o quilo. Mas vez em quando o bolso permite uma extravagância.

Este não é um publieditorial, a Ofner nem sabe que estou falando bem dela aqui. Só queria compartilhar com você, mesmo, esses sabores que encontrei tardiamente, mas que me são bem caros hoje em dia. Sem hype, sem glamour. Só a boa e velha Ofner e seus docinhos.
Aquele ovo de Páscoa crocante eu nunca provei, mas tá aqui, ó, guardado naquele cantinho do cérebro específico para as memórias de amor (e gustativas).

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